Que sorte a minha

Pra não te falar de amor,
falo da gravidade,
e que se ela fosse um pouquinho só mais forte,
a matéria toda colapsaria.
E nada existiria.
Mas ela não é. E que sorte a minha!

Pra não te falar de amor,
falo do desenvolvimento da cola,
e que se todas fossem eficientes,
os post-its não exisitiriam.
E nossos bilhetes não existiriam.
Mas não é assim. E que sorte a minha!

Pra não te falar de amor,
falo do algodão,
e que se a safra tivesse quebrado naquele ano,
teu moletom nunca teria sido feito.
Mas não foi assim. E que sorte a minha!