Postado em 6 de outubro de 2023

Sobre emplastos, morte e sonho

Em 2017, escrevi um texto, motivado por uma aula de Leitura e Produção textual, sobre objetivos de vida e apresentação pessoal, que explicava sobre a validação que eu sentia — e ainda sinto, confesso — ao ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. Bem é verdade que a nossa motivação não era a mesma. Afinal, ter meu nome estampado em todos os boticários e farmácias não combinaria com a timidez que me acompanha há muito tempo.

O romance começa com a morte do defunto-autor. Afinal, nada faz mais sentido do que começar pelo que permitiu que o livro fosse escrito. A morte nos liberta das amarras das aparências, relações e opiniões. Foi meu pai que me explicou sobre isso no final da infância, quando eu perguntava sobre Machado de Assis. Encontrei nele meu autor brasileiro favorito.

De repente, dizer que “felicidade geral” é meu objetivo de vida pareceu menos fantasioso. Ou, pelo menos, pareceu um tanto mais palpável. Brás Cubas tem a brilhante ideia de um emplasto que curaria o mal do século, e foi essa ideia que o levou à morte.

É logo no início do romance que se lê:

Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma idéia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade.

Originalmente, a postagem que escrevi dizia que eu morreria de bom grado se fosse necessário para tornar esse sonho realidade. Refletindo hoje, anos depois, percebo que já o fiz. Já morri muitas vezes pra garantir o bem-estar de outras pessoas. E, por vezes, ainda morro.

Talvez ainda morra muitas outras vezes, por este ou outro motivo. Ou aprenda que não deveria acontecer tanto assim.

Categoria: Pessoal

Tags: brás cubas objetivo

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