Oi, ocasionário.
A última vez em que eu postei aqui foi um dia antes de dar minha primeira aula oficial de grego, com um parágrafo de uma tarefa de Lingüística e Ensino. Agora, está para começar a semana em que eu vou dar minha última aula de grego do semestre e também a semana em que eu tenho minha prova final de Lingüística e Ensino.
Está chovendo lá fora. Chove e para. Que nem a vida.
No geral, foi um semestre bem estressante. Eu infelizmente ando muito distraída, não consigo planejar e cumprir meus planejamentos direito, e também ando distraída demais com bobagem no telefone.
Acho que minhas aulas foram legais.
Categoria: Pessoal
Tive de escrever para a aula de Linguística e Ensino um breve texto sobre a minha carreira escolar desde o ensino básico. O último ponto a ser tocado era “Descreva a sua atuação profissional atual e a projeção de onde gostaria de estar e do que gostaria de estar fazendo daqui a 10 anos.”
Gostaria de compartilhar esse último parágrafo também como registro de hoje:
Hoje (no caso, amanhã, dia 2 de abril, mas é quase hoje) — e talvez eu tenha deixado para escrever este texto tão em cima da hora justamente por causa desta última questão —, inicio minha jornada lecionando Grego Clássico. Passei a minha infância brincando de dar aulas e de ser pedagoga, para no final escolher justamente uma língua que sequer é oferecida no ensino básico. Queria registrar que hoje eu sinto bastante insegurança, ao mesmo tempo em que me sinto bastante animada. Para o futuro (incluindo daqui a dez anos), espero estar em uma sala de aula, olhando pra “hoje” (2 de abril de 2025) e lembrando com carinho de como foi o primeiro dia do que vai se consolidar como uma carreira acadêmica que vai me levar a ser professora universitária na área dos estudos clássicos.
Categoria: Pessoal
Quando eu era criança, muita coisa parecia de suma importância no mundo: areia movediça, bananas de dinamite, amarelo queimado, bigornas e losangos (que eu, durante muitos anos, erroneamente pensei que fossem “losângulos”).
O mundo era feito dessas coisas. Ou pelo menos é o que parecia, já que elas preenchiam boa parte do que eu pensava.
Até que, um dia, elas não importaram mais. Ou melhor, um dia eu percebi que a vida aconteceu e fazia muito tempo que essas coisas já não importavam mais. E eu sequer notei que elas não estavam mais lá.
É assim com muita coisa. Tem tanta coisa que nos abala que parece que a vida é preenchida só delas, nos consumindo a cada passo. Onde quer que a gente olhe, parece que essas coisas estão nos seguindo como uma sombra, como se fizessem parte de nós. Mas a vida vai continuar acontecendo. Um dia, essas coisas também vão deixar de importar. E talvez a gente nem note.
Categoria: Pessoal
Eu não sou branca. Nunca fui. E espero nunca querer ser.
Veja bem, não é que rejeito a parte de mim que é. Só não quero que ela afogue a parte de mim que não é. E também não quero me desligar tanto da minha parte amarela a ponto de querer me desfazer dela.
Durante muitos anos, achei que ela nem existisse direito. Na verdade, era só eu que não compreendia que cultura vai muito além de gostar ou não de j-rock e mangás. Uma vez, numa stream, me perguntaram se eu não achava empolgante que as histórias de ninar que me eram contadas eram de tão longe. A primeira coisa que eu pensei foi: de longe? elas são do lado da minha cama. O Japão nunca foi “lá”, eu sempre fui ele, e ele sempre foi eu. Mesmo quando eu não via assim. Ou não queria ver.
Teve um tempo em que eu não era tão fã assim de ser amarela. Racismo marca mais fundo que o osso. Tive um colega que inventava músicas, e uma em específico foi tão humilhante que até hoje eu nunca repeti pra ninguém. Ela me vem à mente toda semana, desde os meus seis anos de idade. Já tive vários apelidos que prefiro fingir que nunca existiram. Não consigo me lembrar de quantas vezes já me perguntaram sobre comer cachorro, ou que me cumprimentam juntando as mãos, ou que puxam os olhos para simular um amendoado dos olhos… De nada pelas risadas, apesar do preço que eu paguei por elas. Odiar o próprio rosto cansa. Às vezes, a voz do povo não é a melhor voz pra se ouvir. Espero que Deus tenha outra voz melhor.
Poucas vezes os comentários sobre asiáticos que eu já ouvi vieram de pessoas que se declaravam abertamente racistas. Há não tantos anos atrás assim, cuspiram em mim na rua, como se eu fosse a causadora do mal do mundo (o racismo com amarelos foi bem intenso durante a pandemia…). Mas essa é a minoria das vezes. Na maioria das vezes, vieram de pessoas muito simpáticas, com senso de humor “ácido”, ou “diferente”. É só um riso inocente com os amigos – um riso que tem como cimento da sua fundação uma mensagem bastante clara: para alguns, a existência de amarelos é risível. E, desse riso, não me interessa ouvir uma sílaba sequer.
Categoria: Pessoal
Eu pretendia escrever ontem, mas não me surgiu inspiração o suficiente. Numa boa notícia: tirei A na minha primeira atividade de Políticas da Educação Básica, e hoje concluí minha tradução de latim!
Ontem, reiniciei a ler A Bibliotecária de Auschwitz. Eu tinha pensado em, dessa ver, ir marcando passagens e frases que eu acho marcantes, mas parei logo após as primeiras, e removi tudo que eu tinha marcado até ali. Me dei conta que aquele livro tem algo que me marca em cada página. O livro acabaria como aqueles xerox que a gente vê de vez em quando, que tem mais amarelo que branco, érm.
Início e final do mês são tempos que me deixam com um tanto de ansiedade, por motivos que não cabem te contar. Mas queria dizer que as coisas melhoram. Sempre melhoram.
Quero voltar a me dedicar às minhas traduções, que estão um tanto paradas porque vários professores tiveram a mesma ideia: já que a gente ia ficar sem aula por causa do recesso de final de ano, por que não deixar umas atividades? Só que quando são cinco, seis professores dando atividade, a coisa aperta. Agora, só tenho mais sete coisas pra fazer antes de as aulas voltarem, então estamos conseguindo! Aos poucos, mas indo. Piano, piano se va lontano, né?
Eu não costumo fazer ~New Year’s resolutions~, mas esse ano eu resolvi que precisava. Segue a lista:
– conseguir ler mais coisas só porque eu quero ler;
– fazer mais arte;
– sentir o peito mais cheio (de φρήν, sinto que eu dei uma murchada nos últimos tempos);
– voltar a falar sozinha;
– dançar mais;
– sorrir mais;
– ser mais paciente e tolerante;
– ser mais bondosa;
– ficar mais em silêncio;
– aceitar melhor estar sem amigos;
– perdoar mais;
– elogiar mais.
Ultimamente, tenho visto bastante gente interessada em Libras e Cultura Surda, o que eu acho lindo. Mas não consigo deixar de lembrar com certa dor que a incerteza da permissão de participar daquilo foi uma das coisas que nos desincentivou de entrar mesmo na comunidade. Eu sinto falta de ir na SSRS.
Por fim, queria compartilhar que tenho receio que aconteça com Grego o que aconteceu com Libras, porque a gente sabe que não foi só a questão de carreira que nos tirou dali.
Categoria: Pessoal
Tags: ano novo reflexões resoluções vontades