What are you doing?

Era início de 2009 quando eu fiz minha primeira conta no Twitter. Lembro até hoje exatamente o que foi meu primeiro tweet, em que eu informava o mundo entusiasticamente que estava ouvindo Pretinho Básico. Naquela época, eu adorava rádio, ouvia o dia inteiro. Até Voz do Brasil, em que eu achava puro charme os links feitos por telefone, tal como era quando o programa ainda tinha mensagens do Getúlio.

Usei o Twitter todos os dias de maio de 2009 até 22 de novembro de 2023. Eu gostava de sentir que existia uma audiência até pros meus pensamentos mais triviais. Até porque, na época em que eu primeiro criei minha conta, a pergunta que o Twitter fazia era bastante pessoal e convidava um fluxo de pensamento bastante informal: “What are you doing?”. Eu lembro de ficar desgostada quando essa frase mudou para “What’s happening?” – hoje refletindo, foi aí que o Twitter deixou a particularização de lado para virar uma plataforma em que o externo fosse preponderante.

A Miley Cyrus foi a primeira pessoa que eu vi deixando o Twitter, ainda em 2009. Ela até gravou um clipe caseiro para a música explicativa, cuja letra eu conseguiria cantar agora se quisesse. Até há algum tempo, eu não realmente pensava em deixar o Twitter. Eu totalmente tinha adotado a ideia de “isso não é bom, mas eu não consigo largar”. Passar tanto tempo da minha vida não foi exatamente benéfico pra mim. Soa até doentio eu não conseguir ficar uma hora no computador sem “dar uma olhadinha” no Twitter. Justamente por ele ter tantos posts curtinhos e diferentes, sempre existe algo de novo e diferente. Será que eu tô perdendo alguma coisa? É só uma olhadinha.

tweet escrito "a gente costuma falar que o Twitter é de graça mas de vez em quando a gente paga um preço sim"

“Esse site é de graça” é uma piada constantemente repetida no Twitter. Mas eu considero que até aqui o Twitter já me custou muito, considerando que ele me desacostumou a dar atenção ao que eu estou dando atenção. E é isso que eu espero recuperar. Ser mais intencional com o meu tempo. Quanto aos meus pensamentos e compartilhar o que eu gosto, bom, é pra isso que esse espaço aqui existe.

Por inércia, muitas vezes eu ainda me pego digitando Ctrl+T tw como eu já devo ter feito tantas milhares de vezes. Mas hoje, a página vazia é quem me olha de volta. Mas ela já estava vazia muito antes.

Adeus, Twitter.

Categoria: Pessoal

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