ἐν ἰσχίοις μὲν ἵπποι
πυρὸς χάραγμ’ ἔχουσιν,
καὶ Παρθίους τις ἄνδρας
ἐγνώρισεν τιάραις.
ἐγὼ δὲ τοὺς ἐρῶντας
ἰδὼν ἐπίσταμ’ εὐθύς·
ἔχουσι γάρ τι λεπτὸν
ψυχῆς ἔσω χάραγμα.
Anacreôntica 27
Cavalos têm marcas de fogo
nas ancas
E os partas são homens
identificados pelas tiaras.
E eu, ao ver amantes,
logo sei,
pois têm uma leve marca
dentro da alma.
Trad. Nyssia Gaudioso
(esse poema foi traduzido pra uma atividade de Grego III, mas modifiquei um pouco a tradução pra colocar aqui)
Categoria: Traduções
Tags: anacreôntica
τὴν ψυχήν, Ἀγάθωνα φιλῶν, ἐπὶ χείλεσιν ἔσχον
ἦλθε γὰρ ἡ τλήμων ὡς διαβησομένη.
Platão, Ant. Palatina 5.78
Tive a alma nos lábios ao beijar Agatão
pois ela tomou coragem para atravessar para ele.
Trad. Nyssia Gaudioso
(originalmente traduzido em 21/12/2023)
Categoria: Traduções
Tags: antologia palatina platão
Eu não sou branca. Nunca fui. E espero nunca querer ser.
Veja bem, não é que rejeito a parte de mim que é. Só não quero que ela afogue a parte de mim que não é. E também não quero me desligar tanto da minha parte amarela a ponto de querer me desfazer dela.
Durante muitos anos, achei que ela nem existisse direito. Na verdade, era só eu que não compreendia que cultura vai muito além de gostar ou não de j-rock e mangás. Uma vez, numa stream, me perguntaram se eu não achava empolgante que as histórias de ninar que me eram contadas eram de tão longe. A primeira coisa que eu pensei foi: de longe? elas são do lado da minha cama. O Japão nunca foi “lá”, eu sempre fui ele, e ele sempre foi eu. Mesmo quando eu não via assim. Ou não queria ver.
Teve um tempo em que eu não era tão fã assim de ser amarela. Racismo marca mais fundo que o osso. Tive um colega que inventava músicas, e uma em específico foi tão humilhante que até hoje eu nunca repeti pra ninguém. Ela me vem à mente toda semana, desde os meus seis anos de idade. Já tive vários apelidos que prefiro fingir que nunca existiram. Não consigo me lembrar de quantas vezes já me perguntaram sobre comer cachorro, ou que me cumprimentam juntando as mãos, ou que puxam os olhos para simular um amendoado dos olhos… De nada pelas risadas, apesar do preço que eu paguei por elas. Odiar o próprio rosto cansa. Às vezes, a voz do povo não é a melhor voz pra se ouvir. Espero que Deus tenha outra voz melhor.
Poucas vezes os comentários sobre asiáticos que eu já ouvi vieram de pessoas que se declaravam abertamente racistas. Há não tantos anos atrás assim, cuspiram em mim na rua, como se eu fosse a causadora do mal do mundo (o racismo com amarelos foi bem intenso durante a pandemia…). Mas essa é a minoria das vezes. Na maioria das vezes, vieram de pessoas muito simpáticas, com senso de humor “ácido”, ou “diferente”. É só um riso inocente com os amigos – um riso que tem como cimento da sua fundação uma mensagem bastante clara: para alguns, a existência de amarelos é risível. E, desse riso, não me interessa ouvir uma sílaba sequer.
Categoria: Pessoal
all I hear is the wind slapping against the gravestones
of those who did not make it, those who did not
survive to see the confetti fall from the sky, those who
did not live to watch the parade roll down the street.
I have grown accustomed to a lifetime of aphorisms
meant to assuage my fears, pithy sayings meant to
convey that everything ends up fine in the end. There is no
solace in rearranging language to make a different word
tell the same lie. Sometimes the moral arc of the universe
does not bend in a direction that will comfort us.
Sometimes it bends in ways we don’t expect & there are
people who fall off in the process. Please, dear reader,
do not say I am hopeless, I believe there is a better future
to fight for, I simply accept the possibility that I may not
live to see it. I have grown weary of telling myself lies
that I might one day begin to believe. We are not all left
standing after the war has ended. Some of us have
become ghosts by the time the dust has settled.
Categoria: Poesia
Tags: clint smith externo inglês
Tradução de Isis Borges B. da Fonseca. In: Poemas de Konstantinos Kaváfis, São Paulo, Odysseus, 2006, p. 100-3.
Quando partires em viagem para Ítaca
faz votos para que seja longo o caminho,
pleno de aventuras, pleno de conhecimentos.
Os Lestrigões e os Ciclopes,
o feroz Poseidon, não os temas,
tais seres em teu caminho jamais encontrarás,
se teu pensamento é elevado, se rara
emoção aflora teu espírito e teu corpo.
Os Lestrigões e os Ciclopes,
o irascível Poseidon, não os encontrarás,
se não os levas em tua alma,
se tua alma não os ergue diante de ti.
Faz votos de que seja longo o caminho.
Que numerosas sejam as manhãs estivais,
nas quais, com que prazer, com que alegria,
entrarás em portos vistos pela primeira vez;
para em mercados fenícios
e adquire as belas mercadorias,
nácares e corais, âmbares e ébanos
e perfumes voluptuosos de toda espécie,
e a maior quantidade possível de voluptuosos perfumes;
vai a numerosas cidades egípcias,
aprende, aprende sem cessar dos instruídos.
Guarda sempre Ítaca em teu pensamento.
É teu destino aí chegar.
Mas não apresses absolutamente tua viagem.
É melhor que dure muitos anos
e que, já velho, ancores na ilha,
rico com tudo que ganhaste no caminho,
sem esperar que Ítaca te dê riqueza.
Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem ela não te porias a caminho.
Nada mais tem a dar-te.
Embora a encontres pobre, Ítaca não te enganou.
Sábio assim como te tornaste, com tanta experiência,
já deves ter compreendido o que significam as Ítacas
Categoria: Clássicas
Tags: externo grego grego demótico